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Sauna Toba

Ignorance Is Bliss

Faz uns 3 anos que não sento em uma mesa de Poker mas, antes desse hiato, o jogo era constante nas mesas live de São Paulo.  Para driblar a variância, principalmente no cash game (meu queridinho), um dos aspectos que mais me dediquei a estudar foi a leitura comportamental e psicológica dos jogadores em campo.

Embora eu não esteja mais utilizando esses estudos nas mesas, é simplesmente impossível abandonar o hábito de ler o comportamento das pessoas no dia a dia.

O processo é automático e em alguns casos, chega a ser perturbador de tanto que algumas pessoas subestimam a inteligência alheia.

Tô bem longe de ser a diferentona que expira o soro da verdade no olhar, mas a maior parte das mentiras que as pessoas contam ficam retidas na peneira dos blefes que todos nós temos embutida na garganta, principalmente depois de termos treinados tanto para isso.

Mais interessante do que detectar as mentiras que as pessoas falam é ler as mentiras que as pessoas contam com suas ações.

Toda ação revela uma afirmação ou intenção. Muitas vezes sem ao menos notarmos, estamos agindo em prol do que o coração clama mas não assume, jogando para nossa mente a responsabilidade de lidar com esse anseio.

É aí que o bicho pega! É nesse exato momento que de alguma forma revelamos o que realmente queremos ou o que de fato aconteceu, desde um cruzar de braços até o dilatar das pupilas, sibilamos pelo corpo o que o peito grita.

Com ou sem treinamento de leitura corporal, nossa antena sempre capta quando algo não está muito certo… Daí nasceu a velha máxima “Me engana que eu gosto”. Será que gosto mesmo?

É mais fácil fingir acreditar numa mentira do que expor a leitura da verdade, ao menos a pessoa se deu ao trabalho de tentar, não que isso seja louvável mas ao menos houve um tilintar de boa intenção… Risos!

Isso vale para principalmente nós mesmos :3 Dói né?

Quantas vezes ao querer tanto que algo seja verdade, mentimos para nós mesmos só para ser feliz por um instante?

Bom seria que essas “mentirinhas” pudessem ser sustentadas tempo suficiente para se tornarem verdade e viveríamos felizes para sempre ouvindo Face to Face. Mais risos!

#SQN
Assim que a mentira cai por terra, uma fração da nossa capacidade de acreditar e confiar no próximo é pulverizada. Quantas mentiras você ainda é capaz de digerir sem virar um bloco de mármore?

Um brinde a todas as pessoas que já tentaram me blefar na vida, dois brindes a quem nem se deu ao trabalho e três brindes para os blefes que tento passar em mim mesma.

Diarregras

diarregras

Tem uma prática que vem se tornando cada vez mais popular por todos os lados: A cagação de regras!

Cagar uma regra pode ser um ato espontâneo e despercebido pelo defecante, ele pode cagar uma regra sem nem se dar conta, como quando você força um peido e se surpreende ao ver uma freada homérica nas carçola. Quem nunca?

Também tem muitos cagadores de regras por aí que acham estar simplesmente exercendo o nobre direito do ser humano, que é o da livre expressão, mas acaba usando de tanto autoritarismo, egoísmo e tirania que perdem o ponto que queriam atingir, deixando só a maldade falar.

E tem os “donos da verdade”. Os cagadores de regras assumidos e orgulhosos, que exercem a prática por puro prazer de trabalhar o reto.

Tudo tem dois lados! A cagação de regras pode ser muito bem-vinda quando feita com amor, quando a pessoa está disposta a exercer essa regra e tê-la com um ideal de vida. O foda é quando você vê alguém cagando uma maldita regra e não a seguindo. Aí não, né. Aí fede demais!

Eis que surgiu em mim a necessidade de cagar uma regra. Aqui vai:

É proibido cagar uma regra e não a seguir.

Vamos aos termos:

A – Quem está disposto a afirmar aos quatro ventos um novo dogma deve ser o primeiro a seguir seus princípios. Sem exceção!

B – Use a sua própria moita.

É muito fácil cagar regra sobre o que os outros fazem ou deveriam fazer. Por isso é muito importante que você pergunte-se antes se a sua vida é um exemplo para não sair criticando livremente sem uma base sólida sobre seu enfezamento.

Segue um guia rápido de perguntas para ajudar a sua próxima defecada, responda com sinceridade:

#1 – Eu sou o fodão da galáxia? (ao menos na área que está disposto a disseminar verdades incontestáveis)

Se a resposta for sim, continue. Se for inconclusiva, descontinue imediatamente o lacto purga.

#2 – Eu estarei ajudando alguém com isso? (Inclusive eu mesmo?)

Se a resposta for sim, continue. Se a resposta for inconclusiva, troque o Activia por vitamina de banana.

#3 – Alguém tá ligando?

Uma nova regra deve ser cagada sobretudo para que você a desfrute em primeiro lugar, seja fiel aos seus ideais. Você não precisa agradar ninguém e tem todo o direito de se pronunciar desde que isso não invada o direito alheio de não ser obrigado a aguentar você falando do que não sabe, e na maioria das vezes não seguir.

#4 – Porque alguém seguiria essa regra?

É fundamental você se colocar no lugar do leitor/expectador e responder com imparcialidade se você seguiria a tal regra recém cagada. Assim você vai notar que a regra pode até ser boa, que você até a seguiria ou refletiria a respeito se o defecante não cagasse ela na sua cara. Cague a regra de forma que ela seja exposta, mas não imposta.

#4 – Essa merda é sua mesmo?

Se a resposta for sim, continue, Se a resposta for inconclusiva, avalie muito bem se você apenas não engoliu merda alheia, digeriu em recalque e está pondo-a para fora em novo formato. Fique atento porque mesmo parecendo diferente, o cheiro é indefectível e você sera marcado como “aquele que caga com o cu alheio”.

#5 – Tem louça na pia?

Se a resposta for não, continue. Se a resposta for sim, vá imediatamente para a pia resolver a situação, isso pode clarear suas ideias e te ajudar a refletir se você realmente tem a necessidade de cagar a regra ouse estava forçando o ato, com grandes chances de hemorroidas precoce.

#6 – Meu cu está limpinho?

Não pode cagar regra se você já fez o contrário antes. Não importa se você está numa nova fase, se arrependeu, rezou novena para purificar sua alma ou fez o contrário ao que está pregando, mas ninguém sabe. Só poderá cagar uma regra quem tem o rabo limpo, quem tem o rabo preso, conviva com sua constipação e fica xiu, faz favor.

C – Tu te tornas eternamente responsável pela regra que cagou.

Se você chegou até aqui convicto que sim, que você está apto para evacuar uma reluzente nova regra no mundo, que essa cagada lhe trará o grande alívio de libertar sua cútis de impurezas, revelando o seu melhor semblante, você está pronto e deve seguir em frente mas lembre-se, uma vez para fora, não tem mais volta! Converse com o seu eu futuro e pergunte se ele será capaz de seguir e defender essa verdade flutuante a qualquer custo. Estou bem segura que vou cumprir a risca a regra de só cagar uma regra se eu for segui-la.

E como a regra de ‘é proibido cagar regra e não seguir’ é minha, é bom deixar claro que isso não faz de mim a fiscal da merda de ninguém.

Quer cagar regra, parça?

Saiba lidar com os respingos que vão sobrar quando ela bater na água.

No próximo post, vou falar sobre o amor depois dos 30. Ou não.